Estréia a guisa de pensamento

Estréia a guisa de pensamento

Caros, quando aceitei, com muita honra o convite para ocupar esta coluna, o fiz consciente do tamanho do desafio aqui representado: a reflexão em profundidade de temas jurídicos sem sofismas ou falsas premissas.

È o que me recorda uma singela historinha.

Ocorre que diante de um Tribunal de Florença, Giovanini Rosadi tinha como adversário um jovem que acabara de formar-se e se tornara célebre por seus fetos de militante fascista , mas era absolutamente desprovido de todo e qualquer preparo profissional.

Primeiro falou Rosadi como assistente de acusação; depois, em defesa do réu fascista, levantou-se o jovem dirigente, o qual começou assim, com desenvoltura:

– Senhores do Tribunal! Eu penso… eu penso… eu penso…

Mas ficava nisso, com pausas cada vez mais demoradas, Deteve-se um instante e depois repetiu:

– Senhores do Tribunal! Eu penso…

O Presidente, para ajuda-o a vencer aquela dificuldade, estimulou-o:

– Diga advogado, diga o que pensa…

Mas Rosadi erguendo-se interveio com irônica seriedade:

– Senhor presidente, não o interrompa. Deixe-o pensar!Ele tem o direito de pensar.

Depois, voltando-se ao outro com ar paternal, encorajou-o:Pense meu jovem, continue a pensar; continue o mais que puder. Vai lhe fazer muito bem.

Para a data da estréia, fica o convite: pensemos o mais que pudermos.